Pontos de Interesse

Também podemos iniciar uma história tendo como ponto de partida interesses coletivos, ou individual das crianças. Isso ocorre principalmente com “temas” amplamente difundidos pela mídia, ou por “desenhos da moda”.

Muitas escolas usam “interesses” que julgam importantes e que fazem parte da grade escolar, como datas cívicas, acontecimentos sociais. Além disso, acontecimentos que surgem inesperadamente serão, vez, ou outra, motivos para propor atividades e ações aos alunos e  educadores.

Os pontos de interesse podem ser dos mais variados acontecimentos e comportamentos, tais como:

  • Modismo e viral;
  • Uma pintura nova no prédio, casa e muro;
  • Troca do motorista do ônibus escolar
  • Um acontecimento triste, ou alegre, como a morte, ou retorno de uma viagem;
  • Algo no ambiente;
  • Um pet novo.

Nesse caso, podemos conciliar duas atividades, como parlendas referentes ao ponto de interesse, jogos e música. Podemos contar para um grupo que está sobre a influência do acontecimento, ou somente para poucas, ou mesmo uma só criança.

A diferença entre a “dinâmica” que antecede uma contação e “ponto de interesse” estará no motivo da narração em si. Enquanto a dinâmica prevê um planejamento com bastante antecedência, usar”pontos de interesse” significa que iremos aproveitar de momentos, coisas, observações que não estavam previstos, e que surgiram, ou foram percebidos sem que uma história tenha sido planejada para aquele momento, ou que o foco da atenção das crianças, por motivos diversos, tenha todo se voltado para eles, atrapalhando a concentração e o início da história.

Assim, na eventualidade do narrador estar por começar uma história, e acontecer algo que altere a atenção das crianças para outro ponto, talvez seja desperdício de energia solicitar que se aquietem, que não olhem, ou escutem para o acontecimento inesperado.

Deixar que o foco no “elemento” que roubou a atenção do contador acabe, seria o ideal, mas por vezes as crianças ficam “desafinadas”, ou demoram para voltar a se concentrar.

A percepção do ocorrido pelo agente que conta história e, se possível, caso não seja algo que force o encerramento da sessão por força maior, aproveitar de algum gancho para emendar na história, uma ponte, adaptação, ou harmonização, seria perfeito.

Faço teatro desde 1985 e contação de história desde 1995. Já aconteceram inúmeros imprevistos que me obrigaram a alterar o andamento, início ou finalização de uma história. Abaixo, apresento um experiência ocorrida em 2011.

Relato de uma experiência

• Local: escola infantil, Zona Sul, SP
• Idade: 3 a 5 anos
• Tipo de evento: semana de integração de início de ano
• Momento: chegada com os pais

Como exemplo, em uma de nossas contações, as crianças estavam empolgadas com os “tênis de luzinhas” de três ou mais amiguinhos, vedete daquele momento. Tínhamos preparado uma contação com animais da floresta, tema da escolinha, e percebemos a euforia e que seria difícil atrair a concentração de todas as crianças.

Usamos “sapatos” como personagens no início da história pegando o gancho do interesse daquele momento. Sapatos pequenos, grandes, sola grossa, fina… Cada característica de um calçado dava o tom de um bicho. Como eram os nossos sapatos, não tinham luz alguma e usamos a lanterna do celular como luzes de olhos de animais, com e sem os calçados.

Num certo momento, uma das crianças  chegou a falar que os sapatos com luzes eram a mistura de vaga-lume com tênis. Depois uma disse que a luz só deixava o sapato mais “diferente” e que o sapato sem, ou com luz, não alterava em nada o caminhar.

Assim, todos tiraram os tênis, para desespero dos pais e professores, e brincamos de “sentir” como os bichos andavam em superfícies diferentes: gelo, vidro, gelatina. Sem dúvida, uma das melhores contações que fizemos. Quando todos estavam imersos na brincadeira, contamos a história que havíamos preparado.


Ao final da aula, mais informações para a criação do plano de uma contação de história. Os detalhes, tais como texto, formato e como enviar para sua avaliação final estarão na “rota de aprendizagem” .(os exercícios, plano de aula e vídeos são exclusivos para alunos do curso.)


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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15 thoughts on “Pontos de Interesse”

  1. É legal utilizar histórias com esses pontos de interesse, pois geralmente será um tema que já está sendo abordado pelas crianças… assim, facilita para o professor entrar no assunto.

  2. Uma boa história pode ser iniciada através de interesses comuns, oportunidades criadas a partir de um contexto Coletivo. Por exemplo, em tempos de pandemia, mostrar as crianças a importância da prevenção, isto é um ponto comum e pode ser aproveitado para render boas histórias.

  3. A história representa um vasto campo dentro de uma escola, desenvolve
    a linguagem, auxilia na criação de bons textos, cria possibilidades pedagógicas
    criativas e estimulantes para concentração do aluno.
    Toda história, por mais simples que pareça, transmite algo a mais no
    desenvolvimento da criança, de uma forma criativa e reflexiva, proporcionando
    na oralidade riqueza extraordinária que permite organizar o nosso discurso,
    nossa cabeça. Além disso, contar bem uma história pode entrar na
    comunicação oral, ser convincente, saber argumentar contar não só pela magia
    pelo domínio do contador.

  4. A história representa um vasto campo dentro de uma escola, desenvolve
    a linguagem, auxilia na criação de bons textos, cria possibilidades pedagógicas
    criativas e estimulantes para concentração do aluno.

  5. Na contação de história ela é muito rica na sua dinâmica. Tudo pode ser transformado em um grande espertáculo. As oportunidades são recriadas e validadas de acordo com o momento vivido. E o grande elo de imaginação revela um mundo cheio de fantasias e surpresas.

  6. Quando se tem em mente um ponto de partida para a Contação de História tanto para o coletivo ou individual, nos traz a certeza que podemos aproveitar e observar melhor os acontecimentos. Daí com o tema pré definido, o contador pode planejar e agregar temas voltados ao momento da sua contação de história. Isso enriquece e prende a atenção das crianças.

  7. O contador de história deve ser criativo e fazer uma adaptação com relação ao ponto de interesse e a história a ser contada. Isso trará muitos benefícios para as crianças. O artigo deixou claro que qualquer acontecimento pode se tornar fonte para uma boa narrativa.

  8. O presente artigo traz como forma de iniciar uma história os interesses coletivos, ou individuais das crianças. O autor destaca como alguns pontos de interesses: modismo e viral; uma pintura nova no prédio, casa e muro; troca do motorista do ônibus escolar; um acontecimento triste, ou alegre, como a morte, ou retorno de uma viagem; algo no ambiente, um pet novo. Levando em conta esses , é possível contarmos uma história de acordo com esses acontecimentos na vida de cada criança. E o autor do artigo apresenta, nesses casos, que podemos conciliar duas atividades, como parlendas, jogos e música referente aos pontos de interesses. Como utilizar dos interesses em uma narração requer de aproveitar de momentos, coisas, observações que não estavam previstos, etc. Muitos imprevistos podem vir a acontecer para atrapalhar a história. O autor relata uma experiência que passou utilizando os pontos de interesses na narração. Como a atenção das crianças estavam voltadas para os tênis de luzinhas que algumas crianças tinham, e de como uso o seus próprios sapatos para representar os bichos e a lanterna do celular para ser os olhos do animal. Chamando assim a atenção das crianças para a história.

  9. Em ” pontos de interesse” , o autor destaca uma forma de também iniciar uma história tendo como partida de interesses coletivos , ou individual de cada criança. O autor fala sobre os pontos de interesse, são eles: modismo e viral, uma pintura nova no prédio, casa e muro , troca de motorista de ônibus escolar , um acontecimento triste, ou alegre , como a morte ou retorno de uma viagem, algo no ambiente, um pet novo. Com esses interesses podemos contar histórias com a influência desses acontecimentos na vida da criança, assim podendo conciliar duas atividades , como parlendas , jogos e música. Ao usar pontos de interesse , isso significa que iremos aproveitar, momentos , coisas , observações que não estam previstos , são pontos que podem ajudar a ganhar a atenção da criança, porém o autor fala que o foco da atenção não pode ser voltada só para eles , pois assim pode atrapalhar a concentração e início da história. Os pontos de interesse no início da história podem fazer com que a criança fique mais interessada e assim chamando a sua atenção para a história.

  10. A história representa um amplo campo na escola e continua a se desenvolver A linguagem ajuda a criar bons textos e criar possibilidades de ensino Seja criativo e tenha a capacidade de estimular a atenção dos alunos. Cada história, não importa o quão simples pareça, transmite mais conteúdo nela. Desenvolva as crianças de uma forma inovadora e reflexiva, A extraordinária riqueza de palavras nos permite organizar discursos, Nossas cabeças. Além disso, contar uma boa história pode entrar Comunicação oral, convencer, saber argumentar, não contar apenas com magia Passe o domínio do contador.

  11. como ponto de partida interesses coletivos, ou individual das crianças. Isso ocorre principalmente com “temas” amplamente difundidos pela mídia, ou por “desenhos da moda”.

  12. Partir do ponto de interesse da criança rende mais aprendizado pq ela praticamente “dirige” a orientação para o que deseja saber.

  13. O artigo ele traz uma forma de iniciar a história, junto com o interesse coletivo.
    O autor destaca como pontos de interesse: modismo e visual; acontecimento triste ou alegre, uma pintura nova no muro ou prédio etc.
    De acordo com esses pontos de interesse, podemos perceber que é possível contar uma história com esses acontecimentos na vida da criança.

  14. Pontos de interesse surge a partir de temas como um ponto de partida de interesses coletivos, ou individual das crianças, pode ser difundidos como temas, pode ser dos mais variados como acontecimentos ou comportamentos tais como modismo e vira,l uma pintura nova no prédio, troca do motorista do ônibus escolar, um acontecimento na casa da criança como a chegada de um bicho ou uma viagem ou outro acontecimento que pode ser triste ou alegre, algo novo no ambiente.
    Nesses pontos de interesse significa que pode aproveitar momentos como observações que não haviam previstos e aproveitados como uma história não planejada para aquele momento e assim pode atrair o foco da atenção das crianças que por outros motivos pode ser perdida.
    E com a desconcentração das crianças, atrapalhando a contação de história os contadores com essa eventualidade precisão buscar aatenção dessas crianças. Deixar o foco do elemento que roubou a atenção do contador não atrapalha a contração da história e acabar por encerrar, pode ser um gancho para ser uma adaptação ou harmonização desse elemento e assim buscar atenção devolta dessas crianças e finalizar a contação da história como conta o texto ao colocar sapatos com luizinhas na história.

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