Contando com fantoches

Saco de Bichos – Espetáculo de José Robson

Bonecos, fantoches, marionetes, são recursos que encantam até mesmo os mais velhos. Esse recurso estabelece uma “socialização” entre a criança e o personagem. Ela se interessa vivamente pelo mundo do boneco, a ponto de travar diálogos com ele, esquecendo/abstraindo completamente o manipulador. Note que as crianças, ou estão na fase do “animismo”, ou na fase da “imaginação”. Em ambas as fases, o encontro com o boneco é extremamente sadio. Na fase do animismo, a criança acredita mesmo que o personagem tem vida e se relaciona de forma verdadeira e espontânea. No segundo caso, a criança, apesar de entender que há alguém manipulando, sua imaginação anula a realidade e ela vivencia o momento de forma intensa e lúdica. Em ambos os casos, ela se abre emotivamente e é facilmente induzida a agir de determinadas formas, ou fazer ações propostas.

Os bonecos são indicados para promover a socialização e a ensinar hábitos, atitudes e rotinas para as crianças. Além disso, podem ser usados para estimular o “diálogo” puro e aberto. A criança contará ao boneco o que não contaria a um adulto, mesmo que este seja o manipulador. Muitas terapias lançam mão desse recurso para extrair das crianças acontecimentos, medos e traumas.

É nesse momento em que a criança está totalmente entregue, que podemos, com cuidado e com amor, doar um pouco das virtudes necessárias ao seu desenvolvimento. As palavras “mágicas” e ações como organização do próprio espaço, cuidados pessoais, respeito aos mais velhos… São qualidades que precisamos despertar nas crianças, e o boneco é um caminho lúdico e seguro.

Idades

Quando converso com meus alunos nas oficinas de contação de histórias e me perguntam qual seria a idade adequada para a introdução e uso dos fantoches, eu pego um dos bonecos e respondo com ele.

O grupo se inclina para ouvir e travar um diálogo com o boneco, assim que ele começa a ganhar vida através da manipulação. Aí peço para repetirem a pergunta, e respondo perguntando “Qual a a sua idade?”.

Por mais que os adultos e adolescentes argumentem que é “bobinho”, infantil e queiram demonstrar um certo “desinteresse”, sempre percebo um sorriso de canto de boca, um olhar que brilha com ares infantis ainda em vários momentos da apresentação.

Não há uma idade para a introdução dos fantoches, como também não há uma idade que seu uso deixe de ser alegre e proveitoso.

Acontece que, em algumas fases da vida, a interação e o olhar mudam em relação ao boneco:

  • pré-verbal – Estimula a fala e a interação;
  • inicio da fala – estimula o diálogo e o querer;
  • após a primeira dentição completa (3 anos +-) – estímulo a socialização e aos hábitos;
  • início da alfabetização – estímulo ao aprendizado, conceitualização e contextos.

Durante todas as fases, a apresentação dos fantoches também será uma técnica de contação de histórias usada para o entretenimento e diversão, em eventos sociais e culturais, em escolas e espaços públicos, sem qualquer prejuízo das destinações acima, que serão usadas em propostas distintas por educadores, pais e artistas.

Entenda que o uso dos fantoches numa contação de histórias é uma ferramenta da própria narrativa. Os espetáculos de teatro de bonecos e fantoches tem sua própria ciência e inserção cultural.

Relato de uma experiência

Em uma das nossas apresentações, as crianças se aproximaram para conversar com os bonecos depois da história. Uma das crianças escolheu o personagem “Bartô”, muito estudioso e sabido, para dialogar, no que perguntou “Você gosta de matemática” e Bartô respondeu “Sim, é minha matéria preferida”. Ela continuou “Quanto é duas vezes dois”, e Bartô “Quatro”.  “E Seis mais seis?” – “Doze”. – “cinco vezes dois”. – “Dez”. Então ela sai correndo ao encontro da professora no fundo do teatro, gritando “Professora, ele sabe mesmo matemática. Acertou tudo”. 

Uma sessão de contação de história que foi encomendada para um aniversário infantil, usando boneco de mão, que nem é boneco, nem fantoche tradicional. Apresentações em aniversário tem uma vida própria, se assim se pode dizer, porque nem é um espetáculo, nem é uma ação educacional, nem é um conto tradicional. É mais um “acontecimento” com todas as perturbações que um espetáculo não deveria ter durante sua execução.




Ao final do curso, as informações para a criação do plano de uma contação de história. Os detalhes, tais como texto, formato e como enviar para sua avaliação final estarão na “rota de aprendizagem” .(os exercícios, plano de aula e vídeos são exclusivos para alunos do curso.)


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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4 thoughts on “Contando com fantoches”

  1. Amei os bonecos do vídeo.Queria ver de perto o último.O encantamento das crianças é de deixar o coração quentinho.
    Gratidão!

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