O Espaço Retangular

José Robson- Escola pública – São Caetano do Sul – SP

A maioria das contações de histórias é realizada em salões, anfiteatros, pátios e salas de aula no formato retangular. Algumas vezes as crianças se sentam no chão, outras nas cadeiras escolares, ou bancos. Esse formato aproveita mais o espaço e compacta os ouvintes, com mais crianças num espaço menor. As crianças ficam em distâncias diferentes do narrador e ouvem e percebem os recursos de forma diferentes.

Esse formato é uma variação do “Palco Italiano”, principal “layout” da maioria dos espaços dedicados a apresentações em escolas e espaços culturais dedicados às artes cênicas no ocidente. Nesse tipo de “palco”, ou espaço retangular, o limite entre a plateia e o espaço cênico em que o narrador atua é considerado “quarta parede” no teatro convencional, em que a plateia é na maioria das peças teatrais, mero espectador, sem interação com os atores. O elenco apresenta a história e considera a “quarta parede” como se fosse uma tela de cinema, ou televisão, atuando de forma que todos ouçam e vejam as cenas e intenções, porém, não necessariamente, com exceções, interagindo, conversando ou sendo interpelados pela plateia.

No “palco italiano”, quando o espetáculo é destinado às crianças, essa quarta parede é intencionalmente quebrada em grande parte dos espetáculos, interagindo e “invadindo” o espaço dos ouvintes.

No caso das contações de história em formatos retangulares, as crianças ficam imediatamente a frente do contador de histórias, não rara vezes no mesmo nível, ou  quando possível, o contador  fica sobre num “elevado” (palco, tablado). Em escolas e espaços alternativos (não adaptados para plateia), as crianças geralmente se sentam no chão, o que deixa o narrador num plano mais elevado. Essa forma de contar necessita de muitos recursos, tanto performáticos, quando materiais, pois as crianças “concorrem” entre si para saber/adivinhar/acertar/participar da história, mas estão desigualmente distribuídas no espaço (umas mais próximas, outras mais distantes, outras envolvidas por crianças maiores, entre outras situações).

Assim, a improvisação, as respostas e saídas rápidas, os matérias de cena, a impostação e inflexão vocal é que irão dar o ritmo e controlar a atenção e interesse das crianças (tal prática será objetivo de um curso presencial). A dinâmica é essencial nesse formato, pois muitas interrupções da plateia irão acontecer e, se o contador não tiver “recursos” as crianças tomarão conta do espaço e do momento. Quando isso acontece, o narrador inexperiente solicita “silêncio” das crianças, quebrando a estrutura da narrativa.


Ao final da aula, mais informações para a criação do plano de uma contação de história. Os detalhes, tais como texto, formato e como enviar para sua avaliação final estarão na “rota de aprendizagem” .(os exercícios, plano de aula e vídeos são exclusivos para alunos do curso.)


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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8 thoughts on “O Espaço Retangular”

  1. Acredito que todos os tipos de palco tem seu prós e contras….nesse espaço retangular é muito bom pra acomodar mais ouvintes, porém há muitas interrupções por parte dos ouvintes… então é necessário o contador estar muito focado pra não se perder na história… mas claro que essa interação com o público faz a contação de histórias ficar mais dinâmica

  2. Nos formatos retangulares a acomodação das crianças são muito boas ,porém as interrupções são mais evidentes e frequentes, por isso o foco do contador tem que ser algo essencial , sempre frizando a faixa etária e utilizando recursos para que a atenção delas estejam somente nele.

  3. Acredito que as divergências surgem em qualquer palco, porém nos espaços retangulares, a acomodação da plateia fica mais fácil e ao mesmo tempo o contador deve ter uma concentração maior, para que os ouvintes não tomem conta da situação. E assim evitem interromper a história com o pedido de silêncio ao público.

  4. Embora os espaços retangulares sejam de boa acomodação, a atenção ao contador tem que ser a máxima,para não haver desvio de atenção das crianças.

  5. O espaço retangular é onde o espaço é mais aproveitado, as crianças elas ouvem e percebem os recursos de diferentes maneiras. Todos conseguem ouvir e ver, mas a atenção do contador para as crianças tem que ser muita, para que as crianças não desviem a atenção durante a narração. Pois podem ter algumas interrupções.

  6. Penso que cada palco tem sua função. O que implica na finalidade de cada um é a faixa etária e a história a ser contada. Geralmente, as crianças ficam perto do contador, porque elas gostam de interagir com a história. Por isso cabe ao contador ajustar a melhor forma de trabalhar a contação de história nesses diferentes tipos de palcos.

  7. Anfiteatros, pátios, sala de aula, até mesmo as caixas que as crianças tanto gostam, pode ser um cenário, criando oportunidade para início de uma contação.

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