Interferências Externas

feira de Livro
Apresentação em feira de livro – Mordisco -Ed. Circulo Cultural – com José Robson

Temos que pensar que quase sempre haverá algum tipo de distração, tanto para as crianças, quanto para o contador. A melhor maneira de lidar com imprevistos é fazer uma relação de possíveis interferências que possam ocorrer, tanto de forma geral (aquelas que independem de espaço, clima, tipo de plateia, história escolhida), quando de forma específica (as que geralmente ocorrem). A maioria dessas interferências ocorre em espaços aberto e públicos, como shoppings, praças e pátios de escolas.

A primeira coisa a se  fazer, se possível, seria desenhar a “planta baixa” do local, tal qual um “Plano de Palco” com janelas, saídas, tomadas, e tudo o que puder. Ainda no desenho insira o “Plano de palco” em si e estabeleça os limites de cada espaço: o seu, o da plateia, a passagem para as diversas saídas e para o trânsito das pessoas.

Nem sempre é possível controlar, ou dispor de espaços diferentes para diferentes propostas de histórias, mas alguns cuidados simples podem ser tomados em qualquer espaço.

Abaixo, algumas dicas para se contar histórias com interferências e situações. Cada contador terá a sua própria lista, podendo acrescentar essas a sua. Não serão, necessariamente, dicas válidas para todas as situações, histórias, espaços e público, mas pode servir de ponto de partida.

Contra Luz

Não ficar numa posição em que a iluminação, natural, ou artificial incida diretamente nos olhos da plateia.

Poluição visual

Cuidar para que nada a sua volta, nem atrás de você, chame mais atenção do que a própria história e elementos cênicos. Os móveis e demais objetos, incluindo ilustrações em paredes, devem ser relacionadas à história, ou não devem estar lá. Se não for possível a remoção, uma cortina neutra (sem desenhos destoantes da história) poderá ajudar a “esconder” o que não precisa ser retirado.

Passagem de pessoas

Escolher o espaço em que não haverá pessoas passando a frente do contador, como proximidades de banheiros salas administrativas, entradas, ou saídas do salão/sala, telefones públicos.

Capacidade

Muitas vezes queremos colocar “todos” de uma só vez para assistir a história, mesmo que seja preciso “apertar” um pouquinho. Isso pode trazer desconforto e comprometer a concentração depois de alguns minutos do início da história, pois é natural que as crianças queiram se ajeitar e fazendo  pequenos movimentos, até mesmo como “reação” a história sendo narrada. Não é raro que até mesmo o espaço do contador de história seja invadido, ou fique muito reduzido, diminuindo a qualidade da apresentação. Murmurinhos e pequenas desavenças são comuns em espaços apertados. O melhor é planejar mais de uma sessão para que a plateia fique confortável.

Clima

Correntes de ar, sol, piso frio, chuviscos e goteiras devem ser levados em consideração. Se no meio da história um pequeno grupo da plateia se sentir incomodado, certamente irão se manifestar, mudar de lugar,  perder a concentração. Controlar essas condições é importante, quando possível.

Iluminação

Se for possível, a maior incidência de luz deverá ficar sobre o contador de histórias. Isso ajudará a recortá-lo do ambiente, dando-lhe mais importância e destaque.

Ruídos

Principalmente em escolas, pode acontecer de haver alguma “obra” de reparo elétrico, hidráulico, ou de alvenaria. Combinar uma pausa será de muita valia. Se houverem salas mais ruidosas, e for possível a escolha de uma mais tranquila, também será ideal. Suspender o sinal entre aulas e os alto-falantes também é recomendável.

Horário

As crianças possuem um relógio biológico muito bem sincronizado. Planejar o tempo para que elas não sintam fome, nem vontade de ir ao banheiro durante a narração, ou que a história não tenha que ser interrompida por causa de outro evento, como “recreio”, ou o “transporte escolar”, no caso de escolas. Em espaços como bibliotecas e livrarias, planejar a atividade no horário de maior fluxo de pessoas, geralmente entre 16h e 18h nos finais de semana, horário que as pessoas já estão propícias a ficar mais tempo concentradas num mesmo local, pois é logo após o almoço (geralmente mais tarde nos finais de semana) e antes da próxima refeição.


Essas são apenas algumas das coisas que o contador de história deve ficar atento. Como narrador de histórias, sei bem das dificuldades em controlar cada uma das interferências. Somente com a prática e tempo esse controle ficará orgânico, mas não infalível. Experimentar soluções diferentes para as mesmas condições, propor mudanças de “layout”  simples no espaço e passar algumas orientações básicas para os responsáveis pela organização do evento podem diminuir as dificuldades.

Veja outras dicas de contação de histórias Na “rota de aprendizagem do curso.


Ao final da aula, mais informações para a criação do plano de uma contação de história. Os detalhes, tais como texto, formato e como enviar para sua avaliação final estarão na “rota de aprendizagem” .(os exercícios, plano de aula e vídeos são exclusivos para alunos do curso.)


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

INSCREVA-SE: Se deseja participar do curso, inscreva-se em aqui.

5 thoughts on “Interferências Externas”

  1. É difícil contar histórias quando há interferências externas, mas é possível contar, temos que tentar ficar a atenção dos ouvintes, que eles se concentrem na história.

  2. existem diversas interferências externas e o narrador deve planejar sua história, assim pode evitar os imprevistos. Por exemplo, o palco contra a luz, vai dificultar a visão da plateia. Neste caso o narrador deve se atentar antes do início.

  3. Se planejar é a saída para ligar possíveis imprevistos. Cuidado com o local, público alvo, se necessário ensaie na frente do espelho, mas o mais importante se solte.

  4. O planejamento é crucial na apresentação de uma contação de história. Principalmente quando essa apresentação é realizada em lugares que não apresentam condições adequadas para o espertáculo. Então, cabe a equipe organizadora realizar uma supervisão do ambiente e levantar os pontos principais que provocam essas interferências externas. Com esse levantamento a equipe poderá realizar a diminuição de algum tipo de distração e melhorar a interação entre contador e a plateia.

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