As Histórias que Ouvimos

De forma geral, os contos tradicionais, fábulas, lendas e contos folclóricos causam uma grande atração aos pequenos, por apresentarem personagens estranhos ao mundo objetivo, ou descrevem terras e personagens distintos da sua época, realizando ações estranhas ao mundo em que vivem, ou apresentam personagens fantásticos em ações mágicas.

Os educadores e pais sabem disso instintivamente e contam histórias do lobo mau, chapeuzinho vermelho, Rapunzel, Gato de Botas, e diversos outros. Esses contos não falam diretamente das problemáticas sociais, espirituais, psicológicas e emocionais. Tratam do medo, do amor, da iniciativa em ações objetivas e práticas realizadas, ou sofridas pelos personagens.

Contos contemporâneos

Já os contos contemporâneos, que nos chegam através de livros comerciais, na maioria, e através de outros com grande qualidade literária, conectam, em sua maioria, as crianças na atualidade das coisas vividas por elas. Alguns fazem novas leituras de histórias tradicionais, outros, abordam seus conceitos. Sobretudo, são apresentados num formato bem mais “mastigado”, salvo exceções, para as crianças, simplificando ao máximo as emoções e conflitos.

Ainda temos as releituras, ou produções de animação por estúdios cinematográficos, ou de televisão. A maioria feita para TV, diferentemente das produções para cinema,  carece de qualidade argumentativa, roteiro e texto.

Animação

As produções para película exploram a fantasia imaginativa que as crianças exercitam ao ouvir oralmente as histórias, produzindo essas mesmas imagens e ações diretamente para o campo visual e auditivo. Assim, a criança deixa de ser uma criadora imaginativa, para ser um agente observador sensível a criação. Também aí, temos um encurtamento do caminho da criação imaginativa da criança, embora seja muito importante também para expandir diversos campos de aprendizagem infantil.

Como narrar histórias

Então, vem a pergunta mais que importante nesse momento: como contar histórias para crianças nos dias de hoje?

Independentemente de qual estilo seja nossa escolha, o fator de maior importância é o humano. A história será contada de uma pessoa a outra diretamente, sem intermediários. As ferramentas empregadas, tais como fantoches, ou mesmo os livros, são apenas um “óculos”, um acessório do fator humano. A voz humana, com suas nuances, imperfeições, respiração, será o palco em que os ouvintes irão preencher com os personagens narrados pelo contador.

Ao contar histórias, eu tento fugir aos padrões já apresentados pelas crianças das mesmas histórias quando as apresentações são em teatros, livrarias e bibliotecas, explorando possibilidades e buscando interação. Assim, mantenho o interesse de um público que é na maioria espontâneo, volátil e com pouco tempo para permanecer no mesmo lugar por muito tempo.

Ao contar em escolas, geralmente a própria escola solicita um tipo específico de apresentação, então, tento me adaptar as necessidades da instituição e às expectativas das crianças, sem perder o fator de surpresa e estranheza.

Já quando conto para grupos pequenos, mesmo em salas de aula, contar uma história bem conhecida de forma tradicional e fiel ao texto, mesmo que as crianças já conheçam cada pedacinho da narrativa, pode ser, e deve, extremamente divertido.

A literatura infantil, apesar das suas divisões, quando é apropriada por um contador de história, deixa de ter como alvo a idade, e passa a ter como essência causar emoções, sensações e reações. Dessa forma, levando em consideração as devidas adaptações que forem necessárias, logicamente à maturidade de cada grupo, qualquer literatura pode ser narrada para os pequenos, conforme as técnicas e ferramentas que forem escolhidas.

Teremos um capítulo o com esse tema mais adiante.


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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2 thoughts on “As Histórias que Ouvimos”

  1. “Ainda temos as releituras, ou produções de animação por estúdios cinematográficos, ou de televisão. A maioria feita para TV, diferentemente das produções para cinema, carece de qualidade argumentativa, roteiro e texto.”
    Este trecho do texto vem apenas como cunho de pensamento pessoal, né?Porque ja assisti a algumas releituras bem feitas , com bom texto e roteiro, na tv
    Enfim, foi um pensamento

    1. Sim, como disse, diferentemente das produções cinematográficas (que vão pra tv aberta, não raras vezes), “a maioria” que são produzidas especificamente para “tv aberta”, que é a qual a grande massa da população tem acesso (ou seja,com exceções, e excelentes, logicamente) carecem de qualidade.

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