Fechamento da História

E chegamos ao final da história. E agora? Existem aquelas frases para finalizar a contação inventadas, ou decoradas de outros contadores e referências literárias tais como:

  • Colorin, colorado, esse conto está terminado…
  • E entrou por uma porta, e saiu pela outra, e quem quiser que conte outra!
  • E quem me contou foi Dona Teresa… Aumentei um ponto, mas a história era a mesma!
  • E acabou a história, quando vier me encontrar, eu volto a recontar.
  • Entrou pela porta e saiu pela janela, quem quiser que conte outra mais bela!
  • Já dizia Don Serafim, essa história chegou ao fim.
  • Tiririm, tiririm… e a historinha chegou ao fim!

São frases que as crianças reconhecem como o final da história. Podem ser inventadas pelo contador, ou alguma que ele ouviu em outros lugares. A vantagem em terminar dessa forma, principalmente para as pequenas, é que a plateia identifica imediatamente que a história chegou ao final. Eu mesmo uso muito pouco, normalmente  em narrações lidas, ou declamadas, que são as mais comuns em projetos de leitura, embora se encaixem em qualquer terminação de contação.

Quando uma história chega ao final, nem sempre as crianças percebem o fechamento. Ficam aguardando acontecer algo mais e se a história não é conhecida por elas, acontece com mais frequência essa respectiva. Há casos em que a plateia não levanta, não bate palma no final, não esboça qualquer reação. Assim, o uso de frases de fechamento é uma finalização confortável para contador.

No entanto, encontrar  “desenlaces” diferentes de acordo com a histórias, ou com as características do personagem contador de história, ou do próprio estilo do contador, propiciará à plateia e à história um estilo próprio. Entre as  formas mais tradicionais de fechamento estão:

  • Frase rimada (como as do início do artigo);
  • Música temática;
  • Coreografia;
  • Coro com frases repetidas pelas crianças (como as respostas das cirandas de roda);
  • Despedidas dos personagens.

Costurar essa finalização com algum ponto de contato com a história ajudará sobremaneira a compreensão das crianças. Se o conto tem um rio que marca a história, por exemplo, antar no final uma cantiga sobre o rio é bem propício. Se o personagem principal for um determinado animal, como um cachorro, por exemplo, um gato, uma ave, brincar com movimentos e sons no final da história  típicos desses animais. desta forma, construímos uma brincadeira coreográfica que a plateia possa imitar os animais, dispersando a atenção da história ao mesmo temo que as crianças percebem o fim da história.

Vão existir dezenas de formas de finalização da história, desde as que citei acima, como mostrar as gravuras dos livros, brincar de roda com uma das músicas cantadas na narração. A imaginação do contador e a interatividade da plateia serão os ingredientes para essa dar adeus à história…

Relato de uma Experiência

Fui chamado para contar história em uma biblioteca do SENAC  no interior de São Paulo numa ação social de visitação do espaço pela comunidade. A História era “Boi de Brincadeira”, uma releitura do Boi do Maranhão. Parte da turma se atrasou para chegar, devido a algum problema com o ônibus. Infelizmente, havia horários muito definidos entre as turmas e tivemos que começar sem parte da plateia, que veio a chegar com uns vinte minutos  após o começo do espetáculo.

Na hora de finalizar a apresentação, ao invés de entrar com a musica e a coreografia ensaiadas, dei um “break”  proposital, marcando no tambor um ritmo bem cadenciado e espaçado entre batidas. Fui para frente, tal qual o distanciamento proposto pelo teatro de “Bertolt Brecht” e recontei a história de forma sintética, monocórdica, ao som do tambor, empregando a moral e sentimentos do patrão, Chico e Catirina. No final da Narrativa, o tambor silenciou, o boi mugiu e um “salve o boi encantado” , “Salve o Boi de Brincadeira”, “Salve o meu boizinho de mamão” soou na voz do contador, enquanto as crianças respondiam “Salve!” entre uma frase e outra, igualmente numa cena no meio da história.

As crianças que chegaram atrasadas ouviram toda a história de forma sucinta, e as demais tiveram uma forma nova de encerramento dessa história. Deu muito certo.


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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