Contando dramaticamente

José Robson contando história em pático escolar – Mogi das Cruzes – SP

Quando ouvimos um bom narrador de história nos distanciamos dos nossos pensamentos e preocupações e mergulhamos por um momento no na história contada. A capacidade de manter a concentração dos ouvintes durante toda a narrativa advém, principalmente, da qualidade de interpretação do ator, sua veia dramática e técnica teatral.

Os contadores de histórias profissionais que despontam do meio teatral são aqueles que em geral, te mais recursos dramáticos para segurar uma plateia somente com a interpretação e narração oral, sem o uso da música, fantoches, objetos e outras ferramentas.

Também os artistas da música, na maioria cantores que dominam um instrumento de cordas, como o violão e violino, e que tem em sua formação a arte popular, obtém grande sucesso na apresentação de histórias cantadas e narradas.

Divido a narrativa dramática em duas categorias, sempre centrada no contador de história e sua atuação:

  • O Ator que conta e narra histórias.
  • O Cantador contador de histórias.

Apesar de haver inúmeros narradores que usam da musica e do teatro para as suas apresentações, a oralidade e a atuação performática do agente que conta é os princípio da contação de histórias.

A diferença entre os dois será, além da musicalidade, logicamente, a ocupação espacial e expressão corporal que o ator tem em sua livre movimentação, em detrimento dos ponteios musicais, inserções melódicas e marcações, seja através do ritmo, ou através das toadas e cantigas. Porém, em ambos os casos, a narrativa oral será o fio condutor.

O Ator que conta e narra história

No teatro, temos um gênero dramático denominado “monólogo”. É o que mais se aproxima de uma sessão de contação de história realizada por um ator contador de histórias. Todas as falas são narradas pelo ator, que as decora com inflexões previamente estudadas e numa ordem definida, com gestos e movimentação coreografados. Estabelece-se um roteiro, dividido em:

  • Interpretação.
  • Movimentação.
  • Sonoplastia.
  • Iluminação.

Na contação em que a narrativa é sustentada pela interpretação dramática, o ator pode roteirizar a história sozinho (chamamos de direção, no teatro), ou buscar auxílio para cada uma das divisões. Quanto mais elaborado o roteiro, dificilmente conseguirá atuar sem um suporte técnico: operador de luz; operador de som; equipe de bastidores, ou de palco.

Em várias conações, o ator é responsável também pela execução dos recursos técnicos, como a sonoplastia e a iluminação, quando estão presentes. Se o narrador não é também músico, irá usar de equipamentos eletrônicos, ou coordenar a entrada da música com um artista da área ao vivo.

Mas nem sempre o ator usará todas as ferramentas que estão a sua disposição no teatro, usando apenas da sua oralidade, muitas vezes, não terá a história completamente decorada, mas dominará o trecho, ou a história, suas ações e diálogos, como nas leituras dramáticas de textos teatrais e de livros. Abaixo, uma leitura com a atriz Denise Fraga:


O inferno dos outros”, de David Grossman Leitura de Denise Fraga

O cantador contador de histórias

As contações realizadas por músicos, principalmente aqueles que cantam, além de tocar um instrumento, também são sustentadas pela atuação artística do músico.

Este usará a música para determinar momentos em que sensações sejam ressaltadas por cantigas, música instrumental, percussiva, ou incidental afim de que a plateia entenda os ações e sentimentos de personagens da história.

Por usar um instrumento musical, mais comumente violão, o narrador fica mais estático, ou usa de pouca evolução no espaço cênico. Sua musicalidade é que dará o ritmo à narrativa. Também usa da roteirização da história, com suas músicas planejadas para cada cena da história, além de algumas vezes usar iluminação e recursos visuais, como projeções.



António Nóbrega – trecho de “A Morte do Touro Mão de Pau”

Roteirizando uma contação

De modo geral, o roteiro de uma história é feito levando em consideração o planejamento dos seguintes tópicos:

  • Pré-apresentação – o que acontece durante a chegada da plateia;
  • Abertura – como a o evento se inicia (note que ainda não se trata, necessariamente da história em si, apesar de ser, na maioria das vezes);
  • Começo da sessão – primeira cena, ou ação que dá início a narrativa;
  • Marcação de cenas – em que momento uma cena começa e outra termina;
  • Ações – acontecimentos que determinam o início e o fim de cenas e intenções;
  • Recursos – o que será usado para dar sensações e sentimentos aos ouvintes, tais como música, sons, cheiros, luz.

Existem outras formas de roteirizar as histórias e cada contador tem seu próprio método. O certo é que na contação de história não tradicional, a preparação de cada sessão é importante para causar os efeitos que queremos nos ouvintes. E decorar o texto, em todos os casos, ou pelo menos um roteiro das ações que acontecem em cada história, é de muita importância.


Ao final da aula, mais informações para a criação do plano de uma contação de história. Os detalhes, tais como texto, formato e como enviar para sua avaliação final estarão na “rota de aprendizagem” .(os exercícios, plano de aula e vídeos são exclusivos para alunos do curso.)


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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15 thoughts on “Contando dramaticamente”

  1. Interpretar a história é um chamariz para os ouvintes….a maneira de contar, se entregar a história, diz muito sobre quem está contando e chama muito mais atenção de quem está ouvindo.

  2. A dramatizacao de uma historia é uma parte essencial nela e diz muito sobre quem está contando.
    Por esse motivo devemos sempre nos expressarmos e para que isso ocorra é somente tentando , tentando e tentando.

  3. Achei muito interessante a parte que fala do ritmo como as batidas do coração e a transformação dos objetos. gosto muito de contar histórias em sala de aula utilizando essas técnicas com objetos e também utilizando somente as falas dos personagens, as crianças criam um imaginário fantástico. Não é apenas um espaço organizado que irá manter a concentração do ouvinte, é preciso uma boa entonação, intenção, criatividade, motivação e o principal elemento é a transformação dos objetos para a imaginação dos ouvintes.

  4. A dramatização de uma história, requer estudo. O narrador, geralmente faz um monólogo, onde ele mesmo interpreta vários personagens. Por isso o estudo, para saber gesticular de acordo com cada personagem, para utilizar expressões de acordo com cada personagem. O narrador tem um dom ímpar, onde consegue prender a atenção em uma dramatização, utilizando poucos instrumentos, ele utiliza mais a face e a fala.

  5. Quando o texto fala em distanciarmos os pensamentos no momento da contação de história, é porque o mesmo conseguiu prender a atenção do público e tornou a atividade praserosa.

  6. Desenvolve o psicológico dos ouvintes, podendo então criar vínculos de afeto e comunicação, como uma terapia.
    Ver, sentir e ouvir é a primeira memória dos ser humano, então aguçar essa interpretação com dramatizações é excelente.

  7. Quando uma história é bem contada, faz com que a platéia esqueça o mundo lá fora e fique prestando atenção na dramatização do contador, que demonstra todo o seu poder de interpretação. Achei interessante onde diz que um contador pode atrair a atenção da plateia apenas com a sua performance, sem fazer o uso de fantoches,músicas, objetos ou qualquer outra ferramenta.

  8. Quando ouvimos uma história somos levados para o mundo da imaginação. A contação performática prende a nossa atenção simplesmente por não fazer uso de ferramentas e recursos como, músicas, fantoches, etc. Utiliza da arte da interpretação e narração oral. A arte de dramatizar uma história, de atuar em uma narração diz muito sobre quem está narrando a história.

  9. Ao ouvir uma boa história , esquecemos de tudo a nossa volta e entramos no mundo da imaginação, um bom narrador também influência muito. A dramatização de uma história faz com que a atenção esteja presa nela,isso porque precisam de recursos dramáticos para segurar uma plateia somente com a interpretação e narração oral , sem precisar usar músicas , fantoches, objetos e outras ferramentas . O ato de dramatizar uma história diz tudo sobre o narrador da história.

  10. Achei muito interessante falar sobre ritmos como o ritmo cardíaco e a transição de objetos. Gosto muito de usar essas técnicas e objetos para contar histórias em sala de aula e só usar as falas dos personagens para falar.As crianças criam imaginações oníricas. Este não é apenas um espaço organizado para prender a atenção do público, mas também exige bom tom, intenção, criatividade e motivação.O principal elemento é transformar o objeto na imaginação do público.

  11. Os contadores de histórias profissionais que despontam do meio teatral são aqueles que em geral, te mais recursos dramáticos para segurar uma plateia somente com a interpretação e narração oral, sem o uso da música, fantoches, objetos e outras ferramentas.
    Na contação em que a narrativa é sustentada pela interpretação dramática, o ator pode roteirizar a história sozinho (chamamos de direção, no teatro), ou buscar auxílio para cada uma das divisões.

  12. Em uma contação artística, o contador ele deve ter o domínio em uma atividade artística, então ao contar uma história ele dever ser um artista e entrar no personagem.
    Para uma contação de histórias, é necessário alguns recursos e ferramentas sendo: Cartas, livros, canções músicas, versos, cantigas, utensílios, painéis, fantoches, bonecos e etc.

  13. Na contação de história contando dramaticamente contém recursos dramáticos para segurar uma plateia somente com a interpretação e narração oral, sem o uso da música, fantoches, objetos e outras ferramentas, artista da música que na maioria cantores que dominam instrumento musical sendo de cordas como violão e violino e que tem em sua formação a arte popular. O autor do texto divide em duas categorias a narrativa da gramática.
    O Ator que conta e narra histórias.
    O Cantador contador de histórias.
    A diferença entre os dois será, além da musicalidade, a ocupação espacial e expressão corporal que o ator tem em sua livre movimentação. Porém, em ambos os casos, a narrativa oral será o fio condutor. O monólogo é o que mais se aproxima de uma sessão de contação de histórias realizada por um ator contador de histórias todas as falas narradas pelo ator ele decora estuda-as numa ordem definida com gestos e movimentações coreografadas.
    Estabelece-se um roteiro, dividido em: Interpretação, movimentação, sonoplastia, iluminação.
    Na contação em que a narrativa é sustentada pela interpretação dramática. O cantador contador de histórias é realizada por músicos aqueles que cantam além de tocar um instrumento, sua musicalidade é que dará o ritmo à narrativa. Também usa da roteirização da história, com suas músicas planejadas para cada cena da história, além de algumas vezes usar iluminação e recursos visuais, como projeções. O
    roteiro de uma história é feito levando em consideração o planejamento dos seguintes tópicos:
    Pré-apresentação, abertura, começo da sessão, marcação de cenas, ações e recursos. Existem também outras formas de roteirizar histórias e cada contador tem o seu próprio médico– o que será usado para dar sensações e sentimentos aos ouvintes, tais como música, sons, cheiros, luz.
    Existem outras formas de roteirizar as histórias e cada contador tem seu próprio método.

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