AFINANDO A PLATEIA

José Robson iniciando uma contação de história – Caixinha do divino

Ao perceber que as crianças chegavam para ouvir as histórias com sentimentos, sensações, vivências, expectativas, pensamentos e cronologia (atividades do dia anteriores à história) muito diferentes uma das outras, entendi que os momentos que antecediam a história podiam ser usados para que todas fossem afinadas ao “tom” da narração. Para se ter uma visão clara, imagine que as crianças representem notas musicais e que chegassem soando ao mesmo tempo as suas respectivas notas. Organizar e colocar cada nota na escala e na partitura seria, então, importante para uma “harmonia” durante a contação. Dei o nome de “Afinação” a essa harmonização.  

Quando pergunto que histórias querem ouvir, ou já revelo o “título” da história antes do seu início, um burburinho de negativas, espanto, aceitação, estranheza, e muitas outras reações surgem. Se essa não for a intenção – aproveitar a energia causada ao oferecer diversidade de histórias – e sim, uma apresentação já pré-determinada, com tempo definido, plasticamente pensado para causar o impacto de um “evento” iniciando, então, ter o controle da reação “coletiva” das crianças será o objetivo esperado.

No caso das minhas experiências, quatro “procedimentos” estimulam a atenção e foco na história:

  1. Prólogo;
  2. Oportunidade;
  3. Dinâmica;
  4. Pontos de Interesse.

Prólogo

Existem dois termos, um de origem grega “prólogos”, e outra do latim “preámbulu-“. Ambos são usados para dar um breve resumo, ou anunciação, ou mesmo uma explicação sobre o que virá após. No “prólogo”, usado principalmente no teatro, um monólogo, ou coro, compõe a textualização da história que virá, ou descreve um acontecimento que dá largada, intenção, ou razão à história. O preâmbulo é usado geralmente como uma síntese, ou resumo, ou explicação técnica do texto que se anuncia, geralmente referente a artigos, teses e leis, mas também para a música que antecede uma peça musical, como ópera e concertos musicais.

Na afinação, uso uma música introdutória (preâmbulo), ou poesia para me ligar às crianças (prólogo). Assim, coloco todas na mesma “sintonia”. Logicamente que a música, ou atividade introdutória, é pensada de modo a possuir pontos de contato com a história, formando uma ponte entre a atividade lúdica e a narrativa. Desta forma, a história se inicia sem que a plateia perceba que já está envolvida na narrativa. Algumas dicas para a afinação:

• Personagem adentra já cantando, ou tocando um tema da história que vai iniciar;
• Declamar uma poesia que tenha elementos da história;
• Tocar músicas temáticas durante a chegada da plateia;
• Brincar com sons que irão aparecer ao longo da história, estimulando respostas, que se espera nas cenas que elas verão ao decorrer da história.

Os recursos de cada contador serão os limites da sua imaginação. Ter experiências e repertório, leitura e pesquisa ajudarão a ampliar cadavez mais seus limites.

Como exemplo, cantar “Bambalalão” antes de uma história – e talvez no meio dela repetir a cantiga –  que tenha cavaleiros pode causar a empatia da plateia mirim. A aceitação pode ser mais facilmente conseguida.

Partitura da música Bamba-la-lão – Arr. Heitor Villa-Lobos

Ao final da aula, mais informações para a criação do plano de uma contação de história. Os detalhes, tais como texto, formato e como enviar para sua avaliação final estarão na “rota de aprendizagem” .(os exercícios, plano de aula e vídeos são exclusivos para alunos do curso.)


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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15 thoughts on “AFINANDO A PLATEIA”

  1. Os recursos de cada contador serão os limites da sua imaginação. Procurar se aprofundar mais e mais em conhecimento amplia sem dúvida alguma cada vez mas os seus limites.

  2. Utilizar vários recursos para contação de histórias vem a colaborar tanto com o contador como com os ouvintes, visto que é importante ter uma conversa com a plateia antes da contação, assim o contador vai afinando a plateia ao que será contado logo a seguir.

  3. Os recursos usados pelo contador de histórias são infinitos, e estes podem prender a atenção dos seus espectadores. Pode faze-los imaginar além do que se lhes apresenta.
    Os recursos podem ser voz, roupa, instrumentos, objetos, cenário etc.

    1. Afinar a plateia é uma forma de chamar a atenção para a história que virá. Quando fazemos uma introdução à história de maneira diferenciada, isso chama a atenção dos ouvintes para que fiquem e prestem atenção ao que será contado. Uma música, um poema, ou uma outra forma de dinâmica vai tornar a história mais interessante.

  4. Os recursos usados para ser usados antes da contação de histórias,ajuda muito . Esses recursos estimulam a curiosidade dos ouvintes.

  5. Faço com o que todos tenham a atenção nele momento, não limite sua imaginação de asas à ela para que outros vejam que são capazes também de fazer a diferença.
    O Prólogo é um breve resumo ou explicação do que acontecerá, cante, dance, intérprete, crie e seja ousado com sua criatividade.

  6. Reconhecer o espaço de contação de história e a disponibilidade dos recursos utilizados, é de extrema importância. A história a ser contada precisa ter uma afinação com o público alvo, que são as crianças. A partir daí, o contador terá uma harmonia e boa interação com os pequenos que estão participando da contação de história.

  7. O artigo deixou claro que antes de começar a contar uma história é necessário acalmar as crianças que estão eufóricas, cada uma expressando suas emoções. Para isso, uma maneira eficaz é fazer uma introdução geralmente usando uma música, deste modo, a platéia saberá que é o momento de prestarem atenção para o que está por vir.

  8. Em ” afinando a plateia” , o autor destaca a harmonia entre a criança e a história. Para causar alguma reação nas crianças, pergunte que história elas querem ouvir ou há revele o título da história antes do seu início, certamente você será presenteado com reações distintas de cada criança. Basta se manter calmo e ter o controle da reação coletiva delas. O autor destaca quatro procedimentos para estimular a atenção e o foco na história: prólogo; oportunidade; dinâmica, pontos de interesse. O prólogo é uma pequena demonstração do que está por vir . É interessante essa relação de criança-contador-história.

  9. No texto ” afinando a plateia” o autor enfatiza a harmonia e a história entre a criança. Antes de iniciar a história pergunte qual história elas querem ouvir ou já logo fala o título, assim vc saberá as reações de cada criança, mas não precisa se desesperar ,qual seja lá a reação delas, basta você ficar calmo e ter o controle coletivo de cada criança. O autor fala no texto sobre sobre como estimular a atenção e o foco na história, durante a contação, são eles : prólogo, oportunidade, dinâmica e pontos de interesse. A relação entre o contador , a criança e a historia é bem importante e agradável.

  10. existem dois termos, um de origem grega “prólogos”, e outra do latim “preámbulu-“. Ambos são usados para dar um breve resumo, ou anunciação, ou mesmo uma explicação sobre o que virá após. No “prólogo”, usado principalmente no teatro, um monólogo, ou coro, compõe a textualização da história que virá, ou descreve um acontecimento que dá largada, intenção, ou razão à história. O preâmbulo é usado geralmente como uma síntese, ou resumo, ou explicação técnica do texto que se anuncia, geralmente referente a artigos, teses e leis, mas também para a música que antecede uma peça musical, como ópera e concertos musicais.

    Na afinação, uso uma música introdutória (preâmbulo), ou poesia para me ligar às crianças (prólogo). Assim, coloco todas na mesma “sintonia”. Logicamente que a música, ou atividade introdutória, é pensada de modo a possuir pontos de contato com a história, formando uma ponte entre a atividade lúdica e a narrativa. Desta forma, a história se inicia sem que a plateia perceba que já está envolvida na narrativa. Algumas dicas para a afinação:

    • Personagem adentra já cantando, ou tocando um tema da história que vai iniciar;
    • Declamar uma poesia que tenha elementos da história;
    • Tocar músicas temáticas durante a chegada da plateia;
    • Brincar com sons que irão aparecer ao longo da história, estimulando respostas, que se espera nas cenas que elas verão ao decorrer da história.

    Os recursos de cada contador serão os limites da sua imaginação. Ter experiências e repertório, leitura e pesquisa ajudarão a ampliar cadavez mais seus limites.

    Como exemplo, cantar “Bambalalão” antes de uma história – e talvez no meio dela repetir a cantiga – que tenha cavaleiros pode causar a empatia da plateia mirim. A aceitação pode ser mais facilmente conseguida.

  11. Ao perceber que as crianças chegavam para ouvir as histórias com sentimentos, sensações, vivências, expectativas, pensamentos e cronologia (atividades do dia anteriores à história) muito diferentes uma das outras, entendi que os momentos que antecediam a história podiam ser usados para que todas fossem afinadas ao “tom” da narração. Para se ter uma visão clara, imagine que as crianças representem notas musicais e que chegassem soando ao mesmo tempo as suas respectivas notas. Organizar e colocar cada nota na escala e na partitura seria, então, importante para uma “harmonia” durante a contação. Dei o nome de “Afinação” a essa harmonização.

  12. Para começar contando a história é importante preparar a plateia, pode começar com um prólogo do que vai ser contado na história ou instrumentos recursos como sons, músicas, poemas ou poesias ou uma dinâmica isso fará com que a plateia fica entretida para ouvir e haver uma interação com contador de história e assim começar enfim a contar a história.

  13. Em “afinando a platéia” o autor acaba enfatizando a união entre a criança e a história.
    para realizar algum tipo de impacto nas crianças pergunte que a “historinha” ela quer ouvir, em seguida revele o tema da história.
    O autor e acaba enfatizando quatro procedimentos para estimular impacto e o foco na história: prólogo, oportunidade, dinâmica e pontos de interesse.
    o prólogo acaba sendo usado para dar uma pequena demonstração do que está por vir.

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