A Escolha da História

A proposta de se escolher uma história adequada a cada faixa etária é uma sugestão baseada no estudo do desenvolvimento infantil. Logicamente, cada contador e educador saberá adaptar e criar argumentos e formas de acordo com suas vivências e experiências profissionais e pessoais.

A Estranha História do Livro sem O Fim – Com José Robson

Conhecendo nossos ouvintes

Naturalmente existem diferenças significativas na forma em que contamos histórias para crianças em situações, faixas etárias e objetivos distintos. As crianças da faixa etária entre cinco e seis anos terão uma percepção e atenção diferentes de uma determinada história com relação a faixa etária de crianças entre nove e onze. Assim, torna-se imprescindível conhecer nosso público e escolher a história adequada de acordo com a idade, local, objetivos e até mesmo épocas do ano e horários…

Para termos um exemplo clássico dessa preocupação, quem entre os pais, na hora de dormir, conscientemente, contaria uma história de monstros e assombração, de caveiras e terremotos para crianças de cinco anos, ou menos? É lógico pensar que histórias assim teriam uma influência negativa no sono dos pequenos, que teriam pesadelos, ou resistiriam a dormir, ou migrariam para o quarto dos pais.

Se pensarmos mais um pouco sobre isso, descobriremos que outros fatores também irão influenciar as atitudes, ações e sentimentos das nossas crianças… Os telejornais, por exemplo, em que assistimos os mais variados assuntos, sem percebermos que as crianças estão a ouvir também. Notícias em que a maldade humana é mostrada e narrada sem pudores pelos jornalistas a qualquer hora do dia, ou que, sem darmos conta disso, à noite, partilhamos esses fatos tristes em nossas conversas e discussões à mesa, durante o jantar. É claro que os fatos do dia a dia são mais do que histórias, são realidades que elas deverão aprender a conviver e superar, e não podemos esconder tais fatos delas, com o risco de aliená-las da sociedade. Porém, cada coisa deve ser apresentada a elas com cuidado, atenção e com acompanhamento.

Incrivelmente, até mesmo vários dos desenhos animados que assumimos como “babás temporárias” dos nossos filhos e alunos são, em certos aspectos, más influências ao seu comportamento. Aprendem, muitas vezes, a xingamentos, vinganças, artimanhas para maltratar outros. Dou um exemplo direto: em vários dos capítulos do “Pica-pau”, ele mesmo  utiliza-se de armas, sempre acrescenta ao nome próprio dos personagens um adjetivo pejorativo, como “seu idiota”, “seu bobalhão”, que são “escadas” para outros adjetivos cada vez mais providos de maldade. Mas tem uma moral que podemos explorar, dependendo, logicamente, da faixa etária, haja vista que as crianças muito pequenas ainda não tem a moral desenvolvida, mas vivem no sentir e no espelhamento. Vão copiar tudo o que vêm com prazer.

Também somos, muitas vezes, incentivadores de atitudes impróprias, quando damos risadas, ou incentivamos atitudes como, por exemplo, coreografias e gestos adultos, principalmente aqueles em músicas de segundas intenções. Ora, podemos falar, é apenas uma “brincadeira”, mas na verdade, agir é adquirir comportamentos. Estes se tornarão hábitos, estes hábitos são portas abertas aos vícios, e o reforço das “intenções” escondidas nessa brincadeira, até então, sem consequências. 

Vemos o quanto é difícil o controle sobre a informação e conteúdo que estão sujeitas nossas crianças, pois nem sempre estamos presentes para supervisionar. Quero, antes de tudo, apenas alertar que “tudo” o que elas ouvem e veem influenciarão no seu desenvolvimento cognitivo. Cuidar para que as mensagens cheguem no tempo certo, ajuda-las-ão a encontrar um equilíbrio comportamental e a aproveitar cada fase de crescimento e desenvolvimento infantil. Teremos contribuído para a formação de adultos mais centrados, emocionalmente fortes e equilibrados, seguros e espiritualizados.

Se buscarmos em nossas memórias, ou na memória dos nossos avós, como as gerações entre as  décadas de 30 e 80 brincavam e se divertiam, teremos a sensação que as crianças de hoje são menos crianças, ou se comportam quase que como um adulto em miniatura. Ora, o excesso de informação, tecnologia, nosso “afastamento” e outros adventos do mundo contemporâneo concorrem para que elas percam sua ingenuidade. Sim, estamos numa outra época e a adaptação é essencial para o sucesso da vida das nossas crianças. Mas precisamos dar bons estímulos desde o início, bons hábitos, bons exemplos, bom uso das tecnologias e informações disponíveis em todos os meios. Devemos ajudá-las a discernir o que é construtivo e o que não tem valor algum, seja cultural, social, ou intelectualmente. E isso só é possível quando apostamos em conhecimento, não só no entretenimento purista, quando nos dedicamos a compreender, e não só em saber, quando buscamos sentir, e não apenas a ter sensações.

Pensando dessa forma, e sendo um caminho válido, entre alternativas que possam trazer crescimento e virtudes ás nossas crianças, chega a hora de escolhermos o que iremos apresentar a elas em cada fase do seu desenvolvimento. O que elas, fisiológica, metabólica e de forma  piscossensorial e intelecto-emocional estão preparadas para receber e para transformar em conhecimento e vivência.

Não é nada fácil, sei, pois que chegamos demasiadamente tarde nesse processo, é a sensação que temos como educadores e artistas formadores.  No entanto, o reconhecimento do que são benéfico e agradável aos ouvidos e espírito, certamente, com empenho, rotina e afeto irão, com toda a certeza, iluminando-se nos olhos e sorriso dos pequenos dia a dia.

Veremos uma transformação clara e inconfundível na alegria sincera e ingênua, e uma confiança singular, infinita e amorosa, pouco a pouco se fortalecer entre  você, contador de histórias, e suas crianças. Intempéries haverá. Mas a fé na bondade e no grupo serão maiores e logo abrandará qualquer inquietude entre os pequenos ouvintes e o narrador.


O Artigo acima faz parte integral do “Curso de Contação de Histórias” da Cia ArtePalco. Não pode ser reproduzido, copiado, ou utilizado sem prévia autorização.

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23 thoughts on “A Escolha da História”

  1. A escolha da história adequada a cada faixa etária é importante, colocando em conta a faixa etária, a situação e objetivos distintos. Por isso torna-se imprescindível conhecer o público e escolher a história adequada. Vemos o quanto é difícil o controle sobre a informação e conteúdos que estão sujeitos nossas crianças nós dias atuais, pois tudo que elas ouvem e vêem influenciarao no seu desenvolvimento cognitivo. Precisamos dar bons estímulos desde o início, bons hábitos, bons exemplos, bom uso da tecnologia e informações disponíveis em todos os meios, ajudando-as a discernir o que é construtivo e o que não tem valor algum.

  2. É essencial contar uma história de acordo com a faixa etária da criança, visto que elas aprendem por repetição… devemos buscar histórias adequadas com objetivos claros, assim será possível atingir a criança de maneira positiva…
    Selecionar o que é dito em sua presença, também torna-se imprescindível para seu desenvolvimento.

  3. Contar uma história adequada a faixa etária da crianças é bem mais do que essencial , além de não confundir ou até mesmo apressar o entendimento também nos facilita ao trabalharmos com elas.
    Todos passarão por etapas em nossa vida , infelizmente algumas pessoas querem antecipar essas etapas transformando crianças em mini-adultos sendo em comportamento quanto nas músicas, e até mesmo em histórias.
    Devemos nos policiar sempre , a crianca têm que passar por todas as fases , e do jeito correto , cabe a nós incentivá-las.

  4. Ao escolhermos á história devemos averiguar e adequar a faixa etária correta .assim sendo devemos conhecer o publico ,tornando-se possível atingir de maneira positiva a criança, tendo em vista o poder de influencia da história sobre ela ,e de maneira lúdica e divertida estimular bons hábitos e exemplos.

  5. Antes de escolher um livro para contar a história, devemos conhecer primeiro o público, ou seja a faixa etária para quem vou contar a história. Cuidar a.linguagem a ser usada é muito importante, uma linguagem clara para que seja de melhor entendimento.

  6. É importante que o professor ou os pais escolham histórias de acordo com a faixa etária da criança. Isso porque em cada fase, a criança tem uma forma de encarar as coisas, umas entendem, outras ainda sentem medo, demonstram repulsa quanto a história mostrada. Deve-se tomar o cuidado com o tipo de história, para que a criança consiga filtrar informações importantes que depois terão influência na própria vida da criança e no desenvolvimento psicológico dela.

  7. As historias a serem contadas, c certeza devem ser escolhidas de acordo com a idade e maturidade daquela turminha, serao historias q podem ser adaptadas e organizadas de acordo c seus pequenos ouvintes. Das historias q arrancam rizadas e olhares curiosos às que dao um sentido à alguma moral para os maiores… é preciso ter atençao nas escolhas, mesmo q estejamos numa turminha de 4/5 anos, pre 2, pois alguns alunos sao mais maduros q os outros, àqueles q possuem mais acesso as tecnologias, por exp. despersam mais rapido, pois parece as vezes q a infancia, meio q ficou p tras. Mas nada como uma boa enfase na historia e materiais atrativos p buscar o olhar desses pequenos ao encanto de uma boa historia a ser contada…

  8. A escolha da história é essencial para que o público se entretenha e faça esta viagem com o contador. O público, a faixa etária tudo deve ser levado em conta.

  9. A escolha da história a ser contada deve ocorrer através do conhecimento do nosso público e de sua faixa etária adequada, assim como o local e a seletividade dos objetos que farão parte da apresentação. Além de contar, devemos compreender que a realidade influência muito a forma que as crianças apreciam o mundo.
    Muitas vezes tomamos como exemplo pessoas e comportamentos mais próximos, por esse motivo é imprescindível que os pais apresentem bons exemplos com relação a respeito ao próximo, educação, atenção em suas tarefas e cuidado com o meio em que vive.
    Além de ensinar em sala de aula, os professores são tomados como um dos maiores exemplos e devemos aproveitar esse momento para compreender e ajudar da melhor maneira possível, formando assim, um aluno que exerce de forma integra sua cidadania e é realmente inserido e participativo no mundo em que vivemos.

  10. A escolha da história a ser contada deve ocorrer através do conhecimento do nosso público e de sua faixa etária adequada
    conhecer nosso público e escolher a história adequada de acordo com a idade, local, objetivos e até mesmo épocas do ano e horários.
    As histórias precisa ser bem elaboradas e organizadas para não influenciar as crianças precisa ser bem construída para se for positiva e ajudar no desenvolvimento da criança. Aconteçam deve ser lúdica e divertida , interessante para estimular a criança e a ter empatia. Foice o uso da tecnologia atual e das informações disponíveis em todos os meios digitais, pode trazer a essa criança crescimento fora do tempo e um amadurecimento sem infância pulando a fase do conhecimento curiosidade para contação de história. E na sala de aula sendo possível essa interação com a contação de história e as crianças atenta a história que será contada pois é a partir da educação que podemos trazer respeito para viver em sociedade tanto na escola tanto na vida social pois essas crianças irão crescer e fazer parte de uma cidadania, dentro de uma democracia

  11. Ao escolhermos as histórias, precisamos primeiro ver o que é adequado para cada faixa etária, pois cada criança ela tem uma percepção e uma atenção diferente da uma outra criança. A criança ele aprende por repetições então tudo que vc ler e encinar para ela, ela vai aprender, e vai encarar aquelas informações de um jeito , ela pode ficar com medo , chorar ou pode não entender . por isso devemos saber o que ler para elas de acordo com sua faixa etária .

  12. É importantíssimo escolher a história de acordo com a faixa etária da criança, pois assim você irá prender a atenção e sua história não ficará cansativa e chata.
    A história tem que despertar curiosidade é o famoso nada igual.

  13. Prestar atenção nas faixas etárias, na escolha do livro, ou até mesmo de uma história da seu próprio pensamento, é o início de tudo, pois assim terá ideias de como falar.
    Fazer a leitura antes também ajuda, te dando um repertório muito mais divertido na hora da história.

  14. Na hora de escolhermos a história devemos observar se ela é adequada para a criança. Para que ela venha a desfrutar e se divertir. Seja histórias recentes, novas ou histórias bem antigas.

  15. Para contar histórias é importante saber qual a faixa etária queirá ouvir a história, escolher o tema também se faz necessário, pois dependo da platéia, ele não será apreciado, prestar atenção no ambiente, no objetivo a ser alcançado e até mesmo na época do ano em que se encontra.

  16. Ao escolher uma história, tem que ser levada em consideração a faixa etária do público, a diferenças significativas na contação de história, a faixa etária como dita acima, crianças de 5 e 6 anos precisam de uma didática diferente de um público de 0 a 3 anos por exemplo, o estímulo, a forma de atrair são diferentes, e na hora que é escolhida a história isso tem que ser levado em conta.
    “Tudo” o que eles ouvem e vêem influenciarão em seu desenvolvimento, temos que ter um certo cuidado no que apresentar a eles, as mensagens tem que chegar de acordo com a sua idade, para que possa entender o proposto. Com isso ajudamos a formar adultos mais centrados.

  17. A proposta de se escolher uma história adequada a cada faixa etária é uma sugestão baseada no estudo do desenvolvimento infantil. Logicamente, cada contador e educador saberá adaptar e criar argumentos e formas de acordo com suas vivências e experiências profissionais e pessoais.

  18. As crianças da faixa etária entre cinco e seis anos terão uma percepção e atenção diferentes de uma determinada história com relação a faixa etária de crianças entre nove e onze.Também somos, muitas vezes, incentivadores de atitudes impróprias, quando damos risadas, ou incentivamos atitudes como, por exemplo, coreografias e gestos adultos, principalmente aqueles em músicas de segundas intenções.

  19. A escolha das histórias que vai contar para uma criança deve ser muito importante e deve ser escolhida com bastante cuidado, sabendo que a criança ela não tem total conhecimento sobre as coisas. Então escolha do livro deve estar acompanhado com a realidade da criança. Conforme ela vai crescendo A escolha dos livros começa a ter mudanças para se adequar a sua faixa etária.

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